Baixe o primeiro capítulo – GRÁTIS

sexto sexoDar beijos.
Dar abraço.
Dar as mãos.
Dar no saco.
Dar desculpas.
Dar as costas.
Dar o que falar.
Dar gosto.
Dar pro gasto.
Ou simplesmente: dar.


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Novo site e campanha #XôBadHairDay

Tenho uma boa notícia a todos os leitores: em breve o site http://www.sextosexo.com vai entrar no ar, novíssimo em folha.

Enquanto isso não acontece, convido-os a conferir a campanha #XôBadHairDay, produzida pela produtora Studio Prime para a rede de drogarias Venâncio. O vídeo contou com a participação desta mocinha colorida que vos fala. 🙂

Prazer e sexo: monólogo inspirado no livro Sexto Sexo

Um monólogo sobre a vida sexual de todos nós“, texto de Fernando Silveira, inspirado no livro Sexto Sexo de Fernanda Lizardo.

Direção: Ivan Augusto
Todos os sábados, às 19h, no Teatro Paiol – R. Amaral Gurgel, 164 – Centro – São Paulo (SP)

Vendas: www.ingressorapido.com
Ingressos: R$ 30
Duração: 90 minutos
Recomendação: 16 anos
Gênero: Comédia

Ficha técnica
Adaptação: Fernando Silveira
Direção: Ivan Augusto
Assistente de direção: Cida Torlai
Figurino: Cida Torlai
Operador de som e luz: Luiz Antonio
Trilha sonora original: Gesiel de Oliveira, Gilberto Marques e Luan Look

O dia em que tive um aneurisma

*Texto publicado originalmente na revista Seleções do Reader’s Digest, março de 2004.

Além do círculo

Minha lição de adulta chegou de forma inesperada
aos 21 anos
Por Fernanda Lizardo

Estou de férias na casa dos meus pais. Os dois estão no sofá e eu, como sempre gostei, no chão de pedra geladinho, para amenizar o calor úmido típico dessa época do ano em

Por isso tenho uma cicatriz no pescoço
Por isso tenho uma cicatriz no pescoço

Barcarena, interior do Pará. A TV está ligada no noticiário, mas as vozes que escutamos são apenas as nossas. As férias de julho de 2002 transcorrem como todas as outras. Colocamos a conversa em dia depois de tanto tempo distantes. Levanto para tomar um copo d’água. Sinto uma dor no ombro. Noto que não é apenas mau jeito. Nunca havia sentido uma dor como aquela antes.

– Estou sentindo algo estranho – digo. – Uma dor diferente, do pescoço até o ombro.

Mamãe percebe que há um inchaço em meu pescoço.

– Vamos ao médico agora – decide ela, levantando-se no mesmo instante.

Em poucos minutos chegamos a um consultório do Hospital São José. Somos atendidas pelo clínico geral de plantão, Dr. Manuel Maués. Depois de fazer algumas perguntas, ele apalpa meu pescoço. Vejo que sua expressão tranquila desaparece. Ele pede que aguardemos alguns segundos e sai da sala. Volta com outra médica, que também me examina.

– Acho que você tem um aneurisma – diz ela.

Até aí, eu associava a palavra aneurisma à morte. Em 1997, a mãe de um amigo conversava animadamente numa festa e, no instante seguinte, estava no chão. A morte súbita fora causada pela ruptura de uma veia no cérebro, consequência de um aneurisma. Jamais ouvira falar de alguém que sobrevivera a esse mal. Vai ser assim comigo também?

Os médicos explicam que o aneurisma é um alargamento de um vaso. Geralmente, este vaso que se dilata não aguenta a pressão e se rompe, causando hemorragia e morte imediata. Pode também se romper e soltar coágulos que vão interferir em algum órgão vital e deixar sequelas irreversíveis ou levar ao coma.

E a chance de sair ilesa? Existe, mas ninguém pode dizer como será comigo.

Como o diagnóstico ainda não está confirmado, os médicos recomendam que eu vá para casa e fique em repouso.

– Não se preocupe – diz papai. – Os exames vão mostrar que não há aneurisma algum e logo tudo voltará ao normal.

– E se houver um aneurisma – completa mamãe -, faremos uma cirurgia para removê-lo. Vamos enfrentar isso juntos e sair dessa inteiros.

O dia mal começa a clarear e partimos para Belém. Um angiologista faz uma ultrassonografia de alta definição na área do meu pescoço. O exame confirma: há um aneurisma.

– Não é nada urgente – tranquiliza-nos o médico. – A cirurgia pode esperar.

Deixamos a clínica para almoçar num shopping e depois voltar a Barcarena. Ao entrar no banheiro do shopping, vejo que há muito sangue em minha urina. Comento o fato com meus pais, mas, mesmo assim, retornamos para Barcarena. Já em casa, volto ao banheiro. Minha urina está com mais sangue. Meus pais decidem na mesma hora procurar o Dr. Maués. Ele diz que é melhor me internar para me acompanhar o tempo todo – ou pelo menos até que haja condições de me transportar para Belém, onde eu deveria fazer uma tomografia computadorizada.

Depois de três dias, o sangramento para. Imediatamente sou colocada em uma ambulância. O motorista segue para o Hospital da Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Pará, em Belém, onde será feita a cirurgia. Ou as cirurgias; já não sei mais quantas serão.

A tomografia constata que o sangue na urina é apenas consequência de uma pedrinha na bexiga, sem qualquer relação com o aneurisma. Mas, em compensação, este é uma ameaça real: o coágulo que se formou pode se soltar, seguir para o coração e os pulmões e me render uma embolia pulmonar e uma parada cardiorrespiratória. Sempre pratiquei esportes, cultivei alimentação saudável, nunca usei qualquer tipo de droga… Como meu coração pode falhar?

Sou internada às pressas. Apesar de a cirurgia agora ser urgente, não tem data definida. Os médicos ainda estudam meu caso. O aneurisma está na veia jugular externa, no pescoço. Isso facilita bastante o acesso na hora da remoção. O problema é que aneurismas neste local são raros, o que dificulta o prognóstico.

Os dias no hospital são muito parecidos. Horríveis! Desde a infância, fui bastante independente e agora preciso de ajuda para fazer tudo: até para tomar banho e me alimentar. Passo a maior parte do tempo lendo, fazendo palavras cruzadas ou dormindo.

Fiz muitos planos na minha vida; ter objetivos é sempre bom para qualquer pessoa. Mas acho que meu defeito foi adiá-los para um futuro bem distante. Eu pensava sempre: Quando fizer 18 anos… Quando terminar a faculdade… Agora percebo ter realizado muito pouco.

Todas as manhãs o padre da capela do hospital vem me visitar no quarto. Nunca fui muito apegada à religião, apenas seguia as tradições festivas do catolicismo. Voltei a rezar, também influenciada pelo meu pai, que às vezes sai do quarto de fininho em direção à capela do hospital para orar e chorar escondido.

Já estou internada há quatro dias. Sinto dores fortes no pescoço. Meus pais dormem e não quero acordá-los. O cateter enfiado em meu braço incomoda e aquela pedra que tive na bexiga provocou uma cistite que me faz levantar para ir ao banheiro de dois em dois minutos. Não consigo dormir e, nessa agonia, penso na minha mania de dividir as atividades em “cinco minutos”.

Usava essa medida de tempo para todas as atividades: escovar os dentes, tomar banho, vestir a roupa… Era como se vivesse dentro de um círculo. Meu universo não ia além da distância do centro à borda. Tudo muito regrado, planejado, exato. Agora penso em dois minutos, 30 segundos! É irônico, porque não posso fazer nada além de me locomover entre a cama e o banheiro. Podia fazer tanta coisa mais útil naquelas horas intermináveis! Ou será que deveria ter feito tudo antes e deixei a chance passar?

Seis dias após a internação, os médicos decidem me operar. A cirurgia não transcorre conforme o previsto. O aneurisma está tão grande que não pode ser retirado. Os médicos desconfiam que possa haver uma formação cancerígena e retiram um pedaço do coágulo e da veia jugular para biópsia. Depois, bloqueiam o aneurisma com grampos de titânio, que cortam a circulação, impedindo que o coágulo continue a crescer e, dentro de algum tempo, regrida.

O procedimento, inicialmente previsto para durar 45 minutos, leva cerca de duas horas. Ainda terei de passar mais dois dias internada. No dia seguinte recebo a boa notícia de que a hipótese de ser câncer foi descartada.

Uma semana depois volto ao hospital para tirar os pontos. Não rezo mais para pedir e sim para agradecer pelo que tenho. Fiquei mais imediatista e, principalmente, aprendi que há vida além do círculo. Percebi que talvez estivesse esperando demais para realizar certos sonhos. Às vezes as pessoas me perguntam sobre a cicatriz que tenho no pescoço e, quando conto a história, sempre dizem “Você nasceu de novo”. Eu não acho que tenha nascido de novo. Só parei de “sobreviver” e aprendi a viver de verdade.

10 lições que aprendi na marra

Publiquei este texto originalmente em 26 de novembro de 2009 (conforme registro do Archive.org). Estou republicando-o por dois motivos:

1. Ele é plagiadíssimo na rede. As pessoas simplesmente trocam “aneurisma” por “gripe” e tudo bem. Acho isso pura maluquice: imagine só querer mimetizar as experiências pessoais de alguém?! Mas creio que tem louco para tudo neste mundo (esta deveria ser a lição número 11… Ha, ha)

2. Eu gosto muito dele. Principalmente agora, cinco anos depois que foi escrito. À época eu tomei decisões bem importantes e elas foram essenciais para me guiar a acontecimentos surreais e maravilhosos. E mesmo relendo o texto hoje, ele ainda soa muito especial/útil para mim. Espero que o seja para você também.

É lógico que já recebi muitos conselhos. E é lógico também que ignorei alguns deles. O fato é que nenhum conselho se compara ao ato de ir lá e passar pela experiência. Eis algumas coisas que aprendi na marra:

1. Às vezes é melhor ignorar o que pode te chatear Essa é a máxima mais válida em tempos de internet, quando se é possível vasculhar o perfil do ex-chefe no Facebook, fuçar o Orkut* LinkedIn da ex-namorada, bater boca com o desafeto no sistema de comentários do blog ou no Twitter. Há quem goste de martelar aquela situação chatinha – que não chega a causar grandes estragos, mas que pode ser um calo no calcanhar. É a necessidade de dar sempre a última palavra. Aprendi a deixar isso de lado, não apenas no mundo virtual como no real. Em alguns momentos ofereço uma única resposta e desapareço de cena. E é incrível como aquela situação que te cutuca some do pensamento rapidamente quando você não cria o estímulo.

*Na época ainda existia Orkut. 🙂

2. Intimidada ficava a sua avó Poucas expressões podem ser mais amedrontadoras do que a frase “reunião com a diretoria”. Há alguns anos, trabalhei em uma empresa que fazia verdadeiro estardalhaço quando recebia a visita de um dos “chefões” estrangeiros. Um dia, calhou de eu ter uma reunião específica com um deles. Como eu era a única pessoa da equipe que conhecia o processo inteiro do trabalho – e não apenas algumas etapas – não havia como escapar e precisava estar preparadíssima. É claro que nem dormi na noite anterior. No dia da reunião, tudo fluiu tranquilamente. O sujeito era calmo e tinha aquela retração natural dos gringos, que sempre se colocam humildes diante de uma cultura diferente. Aí vi que ele mesmo não era o criador da pressão. Era tudo fruto de um bando de puxassacos que o valorizavam apenas pelo título que possuía na companhia. Desde esse dia, nunca mais fiquei tensa com isso. Reunião com diretor? Entrevista com aquela celebridade de gênio ruim? Entrevista de emprego? Se eu ameaço ficar nervosa, sempre penso: “O sujeito é feito da mesma massa que eu. Se algo der errado, não será o fim do mundo”.

3. Ninguém é obrigado a ser feliz e grato o tempo todo Se eu fosse marcar minha vida por acontecimentos “decisivos” (porque o ser humano tem mania de estipular datas notórias para tudo), diria que foram três. O primeiro foi logo quando nasci. Minha mãe tinha câncer na época e eu, literalmente, dividi o espaço no útero com um tumor maligno.  Obviamente, ela se recusou a abortar e a gestação complicada rendeu um parto no 5º mês e 18º dia de gravidez. Eu pesava pouco mais de meio quilo quando nasci. E todo mundo apostou que meu desenvolvimento não seria normal. O segundo, foi aos 17 anos. Depois de tomar um tombo bobo de bicicleta, arrebentei a coluna cervical. O primeiro médico que viu minha radiografia perguntou à família se eu estava respirando por aparelhos. A lesão ficou a milímetros da medula. Tirando os meses de fisioterapia e o incômodo de usar um colar cervical num calor de 40°, não houve maiores consequências. O terceiro, foi aos 21, quando descobri um aneurisma na jugular e fui operada em caráter de urgência. Se você clicou no link do aneurisma, certamente encontrou uma daquelas reportagens edificantes sobre a importância da vida. Mas a verdade é que não me sinto assim. Eu queria acordar e dizer “Oh, mais um dia lindo, mais uma chance”, mas de manhã cedo só consigo pensar em coisas como: “Preciso correr para não chegar atrasada”, “Onde está o celular da empresa?” ou “Vou colocar amaciante na roupa que está na máquina para adiantar as coisas de casa”. A verdade é que o mundo nos cobra a felicidade do aqui e agora. Mas não tem como ser assim. Ao menos não o tempo todo. Eu me sentia superculpada por não reconhecer o valor das minhas “situações-limite”, mas aprendi que não tem de ser desse jeito. Não sei o que passei quando nasci porque é claro que não me lembro de nada. E as outras duas situações… foram tão rápidas e tão improváveis que não deu tempo de ver aquilo como uma provação. Tenho meus momentos de felicidade, mas não vou sair dizendo que “sinto mais prazer em pisar na grama e sentir a natureza” só porque é isso que as pessoas querem ouvir. Até porque a vida é feita de altos e baixos.

4. Não é vergonha ter arrependimentos Pegue uma revista de celebridades. Qualquer uma. Procure por uma entrevista. Em alguma página você encontrará aquela atriz famosa dizendo “Prefiro me arrepender só das coisas que fiz”. Eu sempre desconfio disso. Parece uma tentativa de amenizar as besteiras cometidas. Eu tenho arrependimentos. Já extrapolei e magoei pessoas que não mereciam. E já deixei de ser dura com quem merecia uma bela de uma patada. Já tomei decisões erradas. Dá para consertar? Às vezes não. Mas é isso. Se pudesse reverter algumas situações, reverteria. Se dá para fazê-lo mesmo, aí é outra história. Tento não sofrer, mas, sim, me arrependo de algumas coisas que fiz e não tenho receios de confessar isso.

5. Não existe momento ideal para realizações Conheço um sujeito** de 35 anos que nunca saiu de casa. Sempre morou com os pais e diz que só sairá quando estiver em situação adequada para fazê-lo. Acontece que ele se acostumou tanto à vidinha acomodada, que não consegue construir a tal adequação que criaria as condições para morar sozinho. Ele tem um emprego mediano e uma vida sem grandes perspectivas. E já me confessou ser infeliz por nunca ter feito nada por si. É triste, mas acho que a vida dele não será nada muito diferente do que é hoje. O fato é que, se ele for ficar esperando pelo momento certo, o tal momento não vai chegar. É ingenuidade achar que dá para correr riscos sem quebrar a cara. Quando me mudei para o Rio de Janeiro, há sete quase treze anos, eu nem sabia direito o que estava vindo fazer aqui. Só sabia que queria mudar a vida. Consegui meu primeiro emprego três horas depois de chegar à cidade. Comprei o jornal para sondar o valor de aluguel de imóveis e terminei como captadora em uma imobiliária. Financeiramente, não compensou, mas consegui duas coisas importantes: autoconfiança para saber que tinha tomado a decisão certa e um bom método para conhecer a cidade para a qual eu havia acabado de me mudar.

**Hoje, 5 anos depois, já na casa dos quarenta, ele continua na mesma situação. Coitado. 😦

6. Nenhum emprego é um demérito Este item complementa o anterior. Já trabalhei como técnica de edificações, já fui captadora e corretora de imóveis, já fui recepcionista, já fui jornalista. Meu primeiro emprego registrado em carteira foi como garçonete. Houve uma época em que consegui me consolidar profissionalmente e, de repente, depois de cinco anos em uma mesma empresa, fui pega por fatores extraordinários e tive de abandonar o barco. Quando se mora com papai e mamãe, é mole não entrar em desespero. É uma situação chata, claro, mas no máximo o corte se limita à TV a cabo e à internet de 30MB. Porém, quando se mora só, o primeiro pensamento é: “Se eu não arranjar nada em um mês, a geladeira ficará vazia e serei despejada”. Por causa disso, nunca limitei o trabalho à minha área de atuação. O bicho pegou? Então vamos voltar às origens. Não é problema voltar a ser garçonete só porque tenho curso superior. Procuro usar as habilidades acadêmicas no que estiver fazendo (“A garçonete mais comunicativa do pedaço e com inglês fluente para atender em restaurantes frequentados por estrangeiros”) e continuo almejando crescer dentro daquela área (“De garçonete posso virar supervisora… Depois gerente….”). Se é para voltar a fazer estágio, trabalhar fora da área de formação, tudo bem… Vejo muita gente torcer o nariz para isso e digo: bobagem.

7. É preciso saber esperar Desde criança eu tinha vontade de lançar um livro. Em certa época, cheguei a mandar originais a várias Editoras. Vieram várias cartinhas de agradecimento (e recusa) e, na maioria dos casos, notei que meu pacote nem fora aberto. Quando recebi o convite para ter a chance de lançar o Sexto Sexo, estava totalmente desencanada do assunto. Simplesmente veio. E foi assim em outras situações também. Já cheguei a reencontrar aquela paixão platônica de adolescência (que nunca me deu bola) após dez anos sem contato. E aí finalmente rolou tudo com o qual eu tanto sonhara. Não acredito muito nessa coisa de destino, mas acredito em paciência.

8. Não importa o que faça; algumas pessoas sempre vão falar de você Certa vez, depois de me separar de uma pessoa com quem me relacionei, fiz uma experiência: em vez de choramingar com a turma, optei por não comentar o assunto com ninguém. Afastei-me por completo (incluindo virtualmente) dos amigos em comum com ele. A intenção era ficar longe até esperar a poeira baixar e não dar vazão para ficarem elucubrando sobre o que levou o relacionamento ao fim – porque afinal, isso só dizia respeito e mim e a ele. Não adiantou. As fofoquinhas surgiram do mesmo jeito. Meu nome circulou em muitas mesas de bar, ainda que eu, parte interessada, não tivesse tocado no assunto ou ao menos encontrado qualquer pessoa do círculo. É isso. As pessoas sempre vão falar. Deixe falarem. Eu fiquei com a consciência tranquila por ter aplicado a primeira regra lá de cima: me afastar. Se surgiu qualquer conversinha, sei que não teve a ver com nada do que eu disse. E isto me dava moral suficiente para me sentir bem melhor do que quem se meteu onde não foi chamado.

9. Você não precisa dizer tudo o que pensa ou pretende A gente tem mania de querer quebrar silêncios. Em muitas situações me senti na obrigação de dizer alguma coisa. E é lógico que houve dias em que falei mais do que deveria. Parei de opinar sobre tudo e todos. Parei de me sentir na obrigação de dar palpites. E parei também de contar meus sentimentos às pessoas. É incrível como essa coisa de saber ficar calado te poupa de aborrecimentos. Por não opinar na hora errada, você diminui sensivelmente os conflitos. E por não contar demais sobre o que anda fazendo, as pessoas te fazem bem menos perguntas. Por fim, se seus planos dão certo, ninguém te bombardeia com um desdém meio invejoso ou se intromete. E se dão errado, ninguém fica sabendo.

10. Tudo passa (e às vezes passa em apenas duas semanas) Para esta situação, gosto de dar um exemplo estúpido, mas muito comum à maioria das pessoas. Lembra daquele amor de adolescência que te fez sofrer horrores? Lembra que, naquela época, você jurou que nunca mais “amaria” ninguém? E você se lembra dessa pessoa hoje? É isso. Simples assim. A gente sofre horrores por algumas coisas, mas depois de um tempo, passa. Sempre que estou em situação complicada, procuro fazer uma projeção, refletir se estarei sofrendo por isso daqui a alguns meses ou um ano. Sei que a parte mais angustiante é não saber quanto tempo vai levar para passar. Mas há ocasiões em que nem demora. Já aconteceu de eu estar em condição péssima em diversos setores: profissional, afetivo, financeiro, saúde. Utilizando o clichê: o verdadeiro mato sem cachorro. E de repente acontecia algo que dava um giro louco em tudo. E aí 15 dias depois a vida estava nos eixos. Sim, tudo passa. E gosto de confiar que a maré ruim não dura. Aliás, eu diria que essa última lição anula todas as outras nove. Não interessa o que aconteça na vida: tudo vai passar.


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